”Já sofri até bullying por isso”, diz ambientalista mirim

GABRIELLE BRANDÃO, ativista mirim, fundadora do Instituto Ambiental Gabrielle Brandão (IAGB)

Como começou a sua paixão pela causa ambiental?

GB: Na verdade, eu não sei. Nunca tive influência de ninguém. Meus pais contam que quando eu tinha uns 5 anos vi na televisão uma matéria sobre o aquecimento global e comecei a chorar. Acho que isso ficou no meu subconsciente de alguma forma. E, em 2008, eu apresentava um programa de clipes e desenho na internet. Eu gostava, mas um cheguei em casa e disse ao meu pai que eu não queria mais perder tempo com bobeira. EU QUERIA ERA SALVAR O MUNDO, FAZER A DIFERENÇA.

Você tem apenas 15 anos. Já se considera uma ativista ambiental?

GB: Sim, me considero sim uma ativista ambiental, mas não sou dessas que procuram o embate. Minha luta é pela conscientização. Quero mostrar que as pessoas podem fazer a diferença com pequenas atitudes dentro de casa. O segredo está em educar as pessoas. NÃO ADIANTA PARTIR PARA A VIOLÊNCIA COMO ALGUNS FAZEM.

Quais são as suas principais ações?

GB: Faço peças teatrais para crianças, palestras em faculdades, escolas, escrevo artigos para revistas. Já fiz propaganda na televisão e hoje faço um programa de rádio sobre o meio ambiente. Funciona como um minuto ambiental, com dicas rápidas sobre preservação da água, economia de energia, etc. SEI QUE PRECISO DAR O EXEMPLO SE QUERO SER OUVIDA. Em casa, temos uma caixa de 30 mil litros para captar e reaproveitar a água da chuva. Também reciclo, faço compostagem, planto orgânicos e cuido de animais abandonados.

E por que resolveu criar uma instituição com o seu nome?

GB: Quando o meu trabalho começou a repercutir, as pessoas começaram a questionar, a cobrar uma ONG, um instituto, algo que pudesse atrair mais apoio, inclusive financeiro. Meu pai foi sempre quem patrocinou minhas ações, projetos. E acho que, no fundo, as pessoas acabam dando mais valor quando há um “nome” por trás, imprime mais respeito. A instituição serve para me levarem a sério. Não é muito comum gente jovem e muito engajada, as pessoas desconfiam. JÁ SOFRI BULLYING POR ISSO.

Bullying por querer ajudar o planeta?

GB: É. As pessoas se afastaram de mim na escola, me zoaram, uma vez umas garotas queriam me bater. Começaram a me achar metida porque eu apareço na mídia, saio em revistas, dou palestras e tudo mais. ACHAM QUE EU FAÇO ISSO PARA APARECER. Mas eu não me vejo como uma pessoa famosa, não ligo para isso. Minha intenção é outra.

Você vai receber um prêmio na França por seu trabalho. Como se sente?

GB: Pois é. Vai ser em outubro, em Paris. É uma homenagem pelo meu trabalho de conscientização e será entregue pela Organização das Nações Unidas durante o Fórum Brasil na França. Estou com frio na barriga, mas feliz. É bom quando reconhecem seu trabalho. Nunca imaginei receber um prêmio assim, NÃO SEI NEM O QUE VOU DISCURSAR. É a primeira vez que saio do país, primeira vez que vou viajar de avião. Estou muito ansiosa.

Pretende se profissionalizar nessa área, ser bióloga, engenheira florestal?

GB: Nunca vou largar o meio ambiente, mas quero ser atriz. COMO ATRIZ, PODEREI FAZER MUITO MAIS PELA NATUREZA. O alcance é maior, as pessoas prestam mais atenção quando um ator ou atriz divulgam uma causa, a mensagem chega mais fácil. É um assunto que é natural para mim e sempre vou encaixar o meio ambiente em qualquer profissão que tenha.

Ainda sobre futuro, qual o seu sonho para o planeta?

GB: O dia que eu perceber as pessoas mais conscientes, pensando em sustentabilidade, estarei satisfeita, realizada. Mas não pode ser só fachada. Quero carros elétricos, menos poluição, energia limpa acessível a todos. O HOMEM PRECISA MUDAR SE QUISER TER FUTURO. Não há mais como fugir dessa realidade.

 

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