Projeto coloca livros na cesta básica do brasileiro e estimula o hábito da leitura

Um projeto chamado Leitura Alimenta quer colocar livros na cesta básica do brasileiro. O objetivo é diminuir a triste estatística de que apenas 55% da população se consideram leitores e 75% nunca entraram em uma biblioteca. Os dados foram divulgados pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

O bibliotecário e coordenador geral da coleção da Biblioteca Mário de Andrade, William Okubo, que sente no dia-a-dia a falta de público, é um entusiasta da campanha. “Como a biblioteca não faz parte do consciente coletivo e poucas pessoas lembram que ela existe, o projeto vem para resolver uma parte do problema: se a pessoa não vai até o livro, o livro vai até ela”, avalia.

Um dos idealizadores do Leitura Alimenta, o publicitário Julio D’Alfonso acredita que a principal meta é desenvolver o hábito da leitura na família que receber a cesta básica. “Crianças que veem os pais lendo, tendem a ler mais. Assim se começa a mudança de comportamento”, diz.

Como ajudar?

Para que toda cesta tenha um livro, o projeto pede doações de exemplares novos ou usados. Porém, não vale qualquer livro: os didáticos, religiosos, fotográficos, eróticos ou de língua estrangeira são vetados. “O conteúdo dos livros precisa ser relevante para quem vai recebê-lo. Nossa intenção é somente despertar o gosto pela leitura, não é catequizar ou incentivar determinadas posturas”, alerta Júlio.

Parceira do projeto, a Livraria da Vila, com unidades em São Paulo e em Campinas, virou ponto de coleta. Mas quem mora em outras cidades no país também pode colaborar comprando um e-book no site, que custa entre R$ 1 e R$ 200. “Quem colaborar, recebe um livro virtual explicando a campanha. Todo o valor será usado para a compra de novos livros”.

Outra parceira do Leitura Alimenta, a empresa Cesta Nobre ficará responsável pela distribuição das cestas básicas com os livros para famílias de baixa renda. As primeiras 20 mil cestas já com o novo “ingrediente” devem ser entregues em 26 de abril.

Fome de quê?

O bibliotecário William Okubo espera que o entusiasmo inicial da campanha não se dissipe. “É um projeto muito bacana, mas não podemos esquecer que isso é também papel do Estado”, aponta. Okubo torce para que os governantes apoiem a campanha e que também façam investimentos nas bibliotecas públicas, para que elas voltem a exercer fascínio e interesse no público.

“Se a população se habituar a ler e fazer disso uma rotina, o próprio cidadão vai começar a pressionar o governo por mais cultura de qualidade”, conclui lembrando aquele clássico verso dos Titãs. “A gente não quer só comida”.

 

 

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