Cicloativistas criticam matéria no Diário Oficial de São Paulo e apontam dados equivocados na reportagem

Capa do "Diário Oficial" do Estado. Matéria critica o uso de bicicletas nas ruas da capital

A matéria “Mais bicicletas, mais acidentes”, divulgada pelo Diário Oficial de São Paulo, nesta quarta-feira (11), que recomenda que ciclistas não usem a bicicletas para se locomover no trânsito da capital, foi alvo de críticas de cicloativistas e usuários das redes sociais.

A reportagem traz uma estatística divulgada recentemente – a de que nove ciclistas são internados por dia no Estado – e a opinião de um especialista, o ortopedista do Hospital das Clínicas (HC) Jorge dos Santos Silva, afirmando que pedalar é uma opção segura apenas em “cidades menores, parques públicos e ciclovias”.

Para o ciclista e autor do Vá de Bike Willian Cruz, a reportagem é equivocada. “Prefiro acreditar que essa é uma opinião pessoal do editor ou de quem pautou a matéria. Não acho que reflete o posicionamento do governo, até porque fere o direito do ciclista de circular”, disse Willian. Para ele, dizer que não se deve pedalar em vias públicas por conta do número de acidentes é o mesmo que “pedir para um pedestre não atravessar mais a rua”. No ano passado, 1.365 pessoas morreram no trânsito da capital. Entre elas, 617 pedestres, 512 motociclistas, 187 motoristas e passageiros, e 49 ciclistas.

Para o cicloativista Daniel Guth, o texto traz argumentos contrários ao que dita o próprio Código de Trânsito Brasileiro. “A bicicleta é um dos veículos autorizados a circular nas vias urbanas. E também nos acostamentos da rodovia. A matéria traz um erro ao dizer que não”, disse Daniel, se referindo ao texto do boxe que diz ser proibida a circulação de bikes em rodovias.

A jornalista e também cicloativista Renata Falzoni bate mais duro e taxa de “irresponsabilidade do poder público” a divulgação de uma matéria como a do informe do Diário Oficial. “Tira do Estado a responsabilidade de garantir a segurança a todos e joga a culpa nas costas do ciclista”, afirmou. “Além de privilegiar a impunidade dos motoristas de má índole”, continuou.

Na noite de ontem, em nota enviada à imprensa, o governo estadual informou que é “absolutamente favorável à ampliação do uso de bicicletas na capital e em todo o Estado, não só para lazer como também para trabalho” e que a opinião do ortopedista não reflete o que pensa a administração.

 

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3 respostas a Cicloativistas criticam matéria no Diário Oficial de São Paulo e apontam dados equivocados na reportagem

  1. Ivan disse:

    Infelizmente e principalmente aqui em São Paulo quem manda no transito é o mais forte logo pra sua vez nós ciclista só somos um estorvo na lateral da rua … falta é educação para a população dessa grande cidade que nos amamos tanto … e acredito eu que nos ciclistas mais apreciamos …

  2. Rodolfo disse:

    Bicicleta não mata ninguém, assim como carros tbm não matam ninguem nem qualquer outro tipo de veículo, o problema está na manutenção dos veículos seja ele um monociclo ou um caminhão, assim como a imprudência dos condutores de cada veículo, prudência cabe a qualquer um que guie ou ande nas ruas, seja da capital, do interior ou de qualquer outro lugar. E quanto ao dinheiro que certas pessoas querem nessa nossa cultura que é dominada pelas empresas automotivas e petroliferas (que deveriam estar cuidando dos problemas delas em vez de impor ao cara que quer se exercitar ou nao podem comprar um carro e está andando de bike) enrolem e depositem no C* O DINHEIRO DE VCS! Bike é saúde, mas é preciso prudência de todas as partes!

  3. Rodrigo Liviero disse:

    Sou adepto da biciclta, pedolo 3 dias por semana, e infelizmente, não tenho boa perspectva para nós ciclistas.
    Num país, onde quem manda são os donos do “Petróleo” e as “Montadoras de Automóveis”, quem manda é quem tem dinheiro, o quer podemos esperar de um editor de revista.