Livro sobre Rage Against the Machine explica em detalhes a história da banda e a política da época

“I won’t do what you tell me”. O “mantra” repetido no final de “Killing in the name” ilustra bem a trajetória do Rage Against The Machine, maior banda de protesto da história do rock e principal atração do SWU Music & Arts Festival 2010. Trajetória que agora é esmiuçada na biografia Guerreiros do Palco, escrita por Paul Stenning.

O livro explica como o RATM revolucionou a música dos anos 90, mesclando os riffs pesados de Tom Morello com o vocal rap de Zack De La Rocha e fazendo com que a voz da minoria fosse ouvida no mainstream. Por conta do perfil social e político da banda, Stenning contextualiza o leitor. “Ele mostra os conflitos familiares, a situação política do mundo e do local onde viviam e tudo que fez com que os quatro integrantes eventualmente se conhecessem e começassem a tocar juntos”, disse Tony Aiex, fundador do blog “Tenho Mais Discos que Amigos” e responsável pela tradução da obra para o português.

Stenning conta em 16 capítulos os detalhes da carreira do RATM, desde o surgimento da banda, passando pelo lançamento do primeiro disco, em 1992, até o término do grupo, em 2000, e a volta. E no meio de fatos já publicamente conhecidos, questões políticas e curiosidades sobre os integrantes, como a vez que ficaram pelados em um palco para protestar contra o PMRC, que criou o famoso selo “parental advisory” para censurar CDs.

Abaixo, um trecho do livro Guerreiros do Palco exclusivo para o Portal SWU:

Havia poucas referências a seu envolvimento pela Internet, ainda assim dentro da própria comunidade de De La Rocha seu ativismo estava se tornando mais visível. No começo de 1996, quando as gravações de Evil Empire terminaram, o vocalista reuniu um grupo de jovens estudantes, artistas e ativistas de East Los Angeles para visitar acampamentos civis pela paz em La Garrucha. De La Rocha não tinha ilusões do que esperar mas ficou claro que até ele se surpreendeu e se assustou com o que encontrou. “Eu vivi o terror e a intimidação da integridade das pessoas pelos soldados;” ele disse a Enlace Civil em Chiapas, “o isolamento em que as comunidades têm que subsistir; os acampamentos militares localizados entre as casas e o campo, eu entendi que uma das grandes missões de uma guerra de intensidade baixa é cansar as pessoas através da fome e criar uma falta de suprimentos. Essa prática de deixar as pessoas famintas tem o mesmo efeito que a ideia de jogar bombas na população”.


 

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